Acarajé: Feirinha de Ipanema
Ainda sobre os tardios relatos da passagem dos retirantes pelo Rio de Janeiro, no domingo pela manhã caminhamos do Leblon até a Feira Hippie de Ipanema, na Praça General Osório, onde compramos bugingangas mil e tive a chance de experimentar “o melhor acarajé da Feira”, como disseram.

Identifiquei três lugares que vendiam acarajé por lá e esse que mostro pra vcs é o da esquina da Jangadeiros com Visconde de Pirajá.
Primeiro, o local: Numa esquininha, eu até já me acostumei a não procurar por um tabuleiro de verdade. Fora da Bahia acarajé é vendido em barraquinha. Nesse caso, no canto da Feira de Ipanema, com umas mesinhas de metal ao lado bem concorridas. Tinha tudo pra ser bom, mas o lugar vende de tudo… doces, bolos, croquetes e também acarajé. Essa variedade toda assusta e também atrapalha no cuidado que se deve ter com o bolinho baiano.

O preço: Ah! Essa foi a piada das piadas. Talvez pq eu tava com uma camisa do Brasil (que comprei na própria feira), talvez pq eu seja branco-quase-transparente, ou talvez pq eles não tenham vergonha mesmo, mas cobrar SETE REAIS por um acarajé beira o roubo. Com mais R$ 3 da coca-cola o dinheiro acabou logo e só pude comer um. Nem em São Paulo eu paguei tão caro por um acarajé.
Apresentação: Cada vez mais me espanto com a criatividade das pseudo-baianas ao tentarem servir o acarajé. Até em Salvador tem umas modas estranhas. Nesse caso, o acarajé é servido num pratinho de plástico, tipo de sorvete, sabe? Menos prático impossível. E ainda vem um garfo e uma faca (também de plástico).

Outro grave problema é o exagero nas quantidades e a desconfiguração do acarajé. É tanto vatapá e caruru que o bolinho fica todo arreganhado, coitado. E quando ele é pequeno, como é o da Feirinha, fica pior ainda. Para um doido como eu, que quis comer com a mão, do jeito que tem que ser, foi uma tortura. E pra piorar, estava frio!!!
Para não falar que foi tudo um fiasco, a cor da casquinha tava perfeita.
Acompanhamentos: Ah! Tinha de tudo. Pimenta, vatapá, caruru, salada e camarão. Nada de extraordinário, mas nada ruim também. O camarão não tava sequinho e tinha muito fiapo. O vatapá tava com o gosto muito bom, mas a conscistência não estava tão firme como deveria, muito melequento, com o perdão da palavra.

O caruru com umas rodelas de quiabo estranhas e com mais gosto de quiabada do que de caruru, achei. A salada tinha uns cubinhos de cebola muito estranhos, mas o tomate estava ótimo, vermelhinho que só! Por fim, a pimenta era fraca, parecia daquelas de frasquinho de super-mercado.
Apresentação “interna”: Por dentro, nem deu pra ver direito, é verdade, mas segue o mesmo estilo “quase lá” dos outros acarajés que comi fora de Salvador. Se fosse um pouquinho mais seco, passaria no teste. Não passou.

Gosto: Era quase meio dia quando chegamos. A fome estava apertando e, como disse no início, comi um só. Aí a avaliação do gosto fica comprometida. Mas achei tudo muito molhado e sem sabores definidos. Aí complica. Posso dizer que não é ruim, mas se o gosto não foi marcante, então é pq há algo de estranho no reino da Dinamarca.
Conclusão: É… difícil chegar a uma conclusão nesse caso. Mas são muitos pontos negativos e poucos pontos positivos. Classifico, com alguma dúvida, como nota 5. Mas acho que pode melhorar. Outra coisa importante para se dizer aqui - e que pesou na nota final - é que foi a primeira vez que quem servia/fazia o acarajé não era baiano. No caso, eram cariocas, com aquele sotaque e tudo. Deu até desanimo.

OBS - Considero “nota 10″ o acarajé mais próximo do genuíno. Não fico comparando esses acarajés de fora de Salvador com os de Dinha, Cira ou Regina… pq é covardia. Ganha 10 quem conseguir servir um acarajé “como na Bahia” de verdade. Estamos conversados?
Quem estava lá: Na hora, estavam Vanessa e minha mãe, que fez uma foto nossa mas ainda não mandou. Quando mandar, publico aqui. Só que durante o dia estava a galera toda…



Amigos, em BRASILIA tem um movimento de uma galera chamado BAIANIDADE CANDANGA que mistura a cultura dos Baianos e do Candangos do DF. Pesquise no Google q vcs devem achar alguma coisa. Eles sempre se reúnem uma vez por mês. Quando estive aí conheci o pessoal na AABB. Grande Axé e boa sorte!!
Não deixe de conhecer o Acarajé da Claudia Baiana. Maravilhoso!
É Fino pelo seu triste testemunho de um Baiano no Rio de Janeiro vê-se que ficou no tradicional roteiro “ZONA SUL” carioca. Já tive muitos soteropolitanos que engoliram o riso quando eu dizia que aqui no RJ, na Praça XV tinha um acarajé tão bom ou melhor q Salvador. Posso citar a Luzia Santana (apresentadora de um programa chamado NOMES na TV em Salvador).
Quando voltar ao Rio, passe na PRAÇA XV (Centro) e procure pela Baiana Ciça. Ela fica lá as 3as, 5as e 6as a partir das 18 horas. Tenho certeza que sua impressão vai mudar! A propósito…todos os ingredientes do acarajé de Ciça vêm de Salvador! Inclusive o Axé dela! eheheh
OBS: Dá uma procurada no YOUTUBE por I FESTIVAL DE ACARAJÉ DO RIO DE JANEIRO - BAIANA CIÇA (http://www.youtube.com/watch?v=uAllkdbdHLo)
Abraço e boa sorte dda próxima vez!
José Luís
Obrigado José Luís… a dica está anotada e da próxima vez que eu for para o Rio, farei questão de comer na Praça XV
abração e valeu pela contribuição!
Cara, que interessante. Estava aqui a procurar no google algum acarajé em Brasília que não fosse o acarajé da Rosa, que acho horroroso: pequeno, caro, frio e sem crocância. Um desastre. E aí encontrei um blog dum conterrâneo que, além de soteropolitano, é também do Rio Vermelho (sem hesitação, o melhor bairro da cidade). Sou da rua Maragogipe, pertinho do Bompreço.
E vou continuar aqui pela minha busca insana por um bom acarajé em Brasília.
Grande abraço.
Grande Fino… valeu pela dica
moro na 210 Norte, na frente do acarajé da Rosa, mas ainda não fui lá. Ainda não comecei minha investigação de acarajés por Brasília. Volte sempre para trocarmos idéias… abração!