Category: Prosa e Poesia

Poesia: INCOMPREENSÃO

Por Bito, o retirante, 30 de maio de 2002 2:52

INCOMPREENSÃO

Como um estrangeiro mudo

É como me sinto diante todos

Quando falo de amor…

Me parece que os sinais que uso,

E os que recebo…

São insignificantes… estranhos…

No meu mundo chamado poesia…

Eu te amo quer dizer eu te amo!!!

Penso em ti quer dizer que penso em ti!

E tenho medo, sou inseguro quer dizer isso mesmo!

Mas me parece que nesse outro planeta…

Eu te amo não quer dizer nada

Penso em ti quer dizer que sou um idiota

E tenho medo, sou inseguro

Quer dizer que esperarei a eternidade por uma reação que nunca virá!

Conto: Linhas e Ligações

Por Bito, o retirante, 22 de maio de 2002 0:37

Ja que esses dias estou vivendo de uma saudade gostosa…

Coloco aqui o conto que mais gosto… um monte de gente conhece mas vale a pena ler de novo!

Linhas e Ligações

- Alô!?

- Alô!?

- Alôô!? Quem não está falando?

- Poxa, se você não falar nada fica difícil se comunicar, né?



E foi assim durante 3 semanas, na mesma hora e um mesmo tempo de silêncio.

No 3o dia, eu já estava achando graça… cheguei a brincar e perguntar coisas pessoais como cor dos olhos, altura, como se vestia… perguntei também como tinha encontrado meu telefone mas o silêncio era o mesmo e às vezes a pessoa desligava na minha cara quando eu me empolgava e os 5 minutos se passavam.

No 4o dia, uma sexta-feira, eu não estava em casa às 10:34, hora que aquele ser me ligava, mas o celular tocou. Eu nem liguei uma coisa à outra até perceber que era o mesmo silencio. Olhei a hora e vi que já eram 10:36, um minuto a mais do que o habitual, como se a pessoa tivesse ligado para minha casa e não tivesse me encontrado.

Mas como descobriu que eu não estava em casa? Como sabia o numero do celular? Pensei nisso tudo depois de desligar sem ouvir uma só palavra.

Não comentei nada disso com ninguém porque achei que era uma brincadeira e se realmente fosse, uma demonstração de nervosismo ou ansiedade seria motivo de gargalhadas eternas…

Lá pelo 9o dia, comecei a ficar com medo… sei lá! Quando você tenta se livrar de algo que não domina e não consegue faze-lo, bate um desespero insuportável. Nunca tinha pensado em desligar, mas nesse dia não agüentei.

- Alô!?

- Olha, você não tem o que fazer não, é??? Vai arrumar outro palhaço pra ligar! – e bati o telefone com toda força e raiva que tinha.

Tão logo desliguei o telefone tornou a tocar. Um frio na barriga me fez sentar e atendi outra vez:

- Alô!?

- Não desliga mais!!! – foram as primeiras palavras em 9 dias.

Uma voz doce, meiga e soava como se implorasse minha presença.

- Você tá com algum problema??? Posso te ajudar em alguma coisa? Sabe… gosto de falar com você – perceba que apenas eu havia falado por mais de uma semana – pode falar comigo que eu juro que não desligo mais! – Sem resposta

- Como posso saber mais sobre vo… - e ela desligou, exatamente quando o tempo se acabou.

Fiquei intrigado. Tive uma vontade enorme de ligar para ela pra continuar a ouvir seu silêncio. Pensei que era absurdo estar pensando naquilo mas eu estava!

Mal dormi aquela noite. Olhei para o telefone por horas afim de que ele tocasse, escrevi pra mim mesmo como faço quando tenho que tomar decisões importantes. Andei pela casa tentando recordar e descobrir de quem era aquela voz.

Acordei dolorido. Havia dormido na sala, diante da TV, no sofá. Eram 8:30 e faltava muito para que o telefone tocasse. Peguei meus módulos, meu bloco de folhas e fui estudar.

Lá pelas 9:40 resolvi sair. Tirei a Ferrari da garagem e peguei o celular. O problema era que eu não tinha a mínima idéia de pra onde ir. Tinha que escolher entre ir para a esquerda ou direita mas continuei parado. Depois de uma eternidade em repouso voltei pra casa de novo. Não sabia o que fazer, só queria que o tempo passasse.

É engraçado como o tempo passa de forma inversamente proporcional à nossa expectativa! Percebi isso quando cheguei no quarto de volta e ainda eram 5 para as 10.

Fiquei deitado, fazendo qualquer coisa esperando o tempo passar mas um segundo demorava uns 3 pra seguir adiante… até que o telefone tocou.

- Alô!? – atendi radiante!

- Oi Bito… sou eu, Jay!

- Oi Linda! Como vai? A quanto tempo, hein? Tudo certinho?

- Tudo certo… mas to chateada!

- Com o que?

- Estudo… to com medo do vestibular, você sabe!

- EI! Relaxe! Isso passa, tudo passa… até Uva passa! Menos o tempo… – completei!

- O que? – perguntou ela curiosa e desentendida, depois de uma gargalhada por causa da piada da Uva.

Aproveitei pra olhar o relógio e me lembrei da ligação da menina. Já se passavam 3 minutos da hora de sempre e tratei de desligar e despachar minha amiga.

Me desesperei. Mais um dia sem falar com ela eu não ia agüentar – perceba que novamente esqueci do fato de que só eu falava! - Mas minha agonia foi passageira, logo após sair do quarto o telefone tocou outra vez.

O mesmo silêncio, agora também da minha parte. Passou um tempo curto e comecei a ouvir um inicio de musica. Reconheci rápido, era minha musica favorita. Descobri que ela me conhecia muito bem. Sabia que eu adorava Djavan e que Cigano era quase um hino! Fiquei calado mais um tempo e então falei:

- Quem é você? - Com uma voz carente - Preciso que fale comigo!

- Ninguém!!! Disse ela e desligou, bem antes dos 5 minutos normais.

Fiquei sem saber o que fazer, coloquei o telefone no gancho e fui tomar banho. Àquela altura eu só queria que “amanhã” chegasse!

Dormi bem cedo, mal comi e não assisti quase aula nenhuma. A noite quase não viu meus olhos.

No dia seguinte, acordei umas 11:50. Irritado, sai andando pela casa, de cueca e sem óculos perguntando pra todos se alguém tinha me ligado, mas só uma tal de Alice havia ligado pro meu irmão.

Eu estava muito aborrecido, não estava disposto a ver ninguém. Só queria ouvir o silencio sádico daquela menina. Ao mesmo tempo eu ria porque era loucura aquilo tudo, afinal, como o silencio poderia Ter me cativado tanto? Como eu poderia Ter me apaixonado por uma invenção de sei lá quem!???(provavelmente minha!)

No fundo eu sabia a resposta mas até hoje eu não respondi pra mim mesmo.

E foi assim durante 3 longos meses, Acordando antes das 10 pra esperar o telefone tocar para ouvir nada.

Poesia: O valor de um sonho

Por Bito, o retirante, 17 de maio de 2002 22:57

Que sexta-feira… horrorosa!!!

Nada deu certo pra falar a verdade…

Estou em casa… não vou sair de casa… não falei com ninguem… ninguem me mandou um e-mail… ninguem no icq…

Que droga! Não estou triste, diga-se de passagem, estou entediado…

Amanhã haverá uma festa e espero encontrar a tal pessoa por la… pra poder sonhar um pouco mais…

E por falar nisso… tem gente pergutnando pq eu resisto tanto pra admitir que estou apaixonado… olha ai em baixo a resposta:

O VALOR DE UM SONHO

Quanto custa um devaneio?

A mim, muito!

Sonhar com certos momentos…

Como o nosso primeiro beijo…

Custa uma noite inteira

Imaginando seus olhos brilhando,

depois se fechando…

Sentir seu corpo chagar perto…

Suas mãos tocando em minha pele…

Custa um dia perdido,

A procura das razões desse sentimento sem sentido…

Teorizando e explicando o pratico e o inexplicável…

Custa uma vida completa…

Apaixonado, chorando pelos cantos…

Apenas por ter sonhado demais…

Conto da espera

Por Bito, o retirante, 17 de maio de 2002 1:13

Caindo a tarde… ele olha para o relógio e tudo mais à sua volta. Está sozinho em casa, ouvindo a TV falar besteira. Então decide sair… sair pra ver se encontra algo que e não sabe o que é… ou sabe?

Acaba chegando ao shopping e somente com sua carteira e com sua solidão, ele entra no cinema, pra ver um filme qualquer… a sala está vazia, nem uma alma passeia entre as poltronas e ele sentou-se bem no meio. Sete fileiras para cima, sete fileiras para baixo… seis cadeiras para direita, seis cadeiras para a esquerda, seis cadeiras para a direita. Sentou-se e ficou esperando o filme começar…

É bem verdade que ele nem lembrava o nome do filme que escolhera… mas isso não importava… ele pensava em outra coisa. Pensava na possibilidade remota de certo alguém se sentar bem ao lado dele…

É claro que quanto mais ele pensava nas possibilidades, mais elas iam desaparecendo… mas também pudera… antes de tal pessoa perfeita, poderia se sentar um homem chato que comenta o filme todo… ou então uma menina de cabelos dourados e longos… poderia ser uma baixinha, com cara de moleca… poderia ser a tipo pedra de aquário, que nem da um pio… poderia ser uma mulher vulgar ou um cara no celular com a namorada! Poderia ser uma galera super entrosada… um cara tão solitário quanto ele… poderia se sentar uma menina de olhos puxados ou uma morena… tudo isso antes daquele ser perfeito sentar…

Então ele vê como é difícil esperar que as coisas aconteçam… como seria difícil ela chegar num shopping qualquer e entrar no cinema, numa sala qualquer e sentar-se bem no meio da sala, ao lado dele, e então falarem do assunto perfeito e preferido e se apaixonarem e tudo mais… ele vê como é difícil!

Assim, ele se levanta antes que as luzes se apaguem e vai ao telefone… está certo de que vai conseguir chamar o certo alguém para ir à algum lugar… mas bem na hora bate aquele medo… medo não só de não dar certo… medo de dar certo!!! Medo de não estar preparado para ouvir tudo o que precisa ouvir… e ai volta pra casa… sozinho por que quer, procura palavras num coração vazio para enche-lo um pouco mais…

Poesia: Kari

Por Bito, o retirante, 7 de maio de 2002 0:58

Ufa! Quanto tempo, hein?

Estava até com saudades de escrever… de falar o que sinto! Apesar de ter escrevido uma das minhas mais belas poesias nesse fim de semana!!! Fiz para uma pessoa que me encantou, para uma pessoa muito especial e que tenho certeza que será uma grande amiga minha (apesar dela ser pequenininha! ehehe)… Esse fim de semana foi maravilhoso!!! Falei sobre coisas que amo e acredito, falei sobre Amizade, sobre Cristo, sobre Igreja… foi muito bom!

Mas de tudo isso o que ficou mais marcado foi a poesia mesmo!

Ai vai ela…

KARI

És uma rocha

Mas não és apenas rocha!

És uma rosa

Mas não és apenas rosa!

És um milagre, algo mágico!!!

Consegues, tu, ganhar o mundo

Com tão admirável segurança…

Consegues, tu, encantar a todos

Com tão singular beleza!

Consegues ser o que não se explica!!!

És tão especial, original, única

Que me deixa sem palavras…

És tão importante, cativante, amiga

Que me obriga a inventar palavras!!!

Dizer que te adoro é muito pouco…

Sinto muito mais do que isso…

Inventar palavras é muito difícil…

Mas bem que você merece!!!

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