Todos prontos para mais uma aventura gastronômica aqui no Retirante? Pois nesta tarde ensolarada de sábado emSão Paulo, Vanessa, Lu e eu fomos à Santa Cecília experimentar o tão falado acarajé do restaurante A Rota do Acarajé.

A expectativa era altíssima. Nas comunidades do Orkut, fóruns, e nos blogs de outros retirantes, o Rota sempre é citado. Depois de ter me aventurado na Libertade, Ceagesp e Benedito Calixto, não tinha com o que me preocupar, né?

Primeiro, o local:
Já falei outras vezes que comer acarajé não é um ato ligado à fome exatamente. É um evento, um acontecimento social que precisa acontecer no ambiente certo.Não é justo cobrar de São Paulo o pôr-do-sol e a beira da praia.

Sendo assim, o acarajé no Rota é excelente. Decoração com fotos de Salvador, artesanato, quadros… luminárias de berimbau.

Mesinhas de vários tipos, talheres e cadeiras também. Um estilo bem informal, agradável. Lugares no salão ou na calçada.

O preço:
Aí é que mora o perigo! Acarajé puro: 5,50. Acarajé “como na Bahia” (completo, servido para comer com a mão): 7,50!!! C aí pra traz! Que é isso??? No prato é 8,50. Achei meio absurdo de caro.

Apresentação:
Digamos que foi quase perfeita. Quase. Cor, textura da casquinha, tamanho, montagem… tudo lindo!

Mas dois detalhes atrapalharam bastante. O primeiro foi o papel onde o acarajé foi servido. Fininho, pouco resistente que se esfacelou em segundos quando as meninas começaram a comer. Para quem tem agonia de ficar com a mão melada, perde a chance de aproveitar melhor o acarajé. Acarajé de verdade é servido com papel verde ou rosa, raramente no amarelo, que é uma mistura de papel de pão com papel toalha. Alguém aí sabe que tipo de papel exatamente é?

O segundo foi que veio muito molhado. Não sei dizer se era do camarão ou do próprio acarajé, mas a “aguinha” chegou a empoçar no pratinho. O ruim disso é que enquanto o acarajé está no prato, ele fica nadando na poça e vai deixando de ser crocante como deve ser

Acompanhamentos:
Ponto positivo de novo. Os camarões, apesar de menores do que os servidos na Bahia, de boa qualidade, deliciosos. O vatapá do jeitinho certo também. A salada idem! O caruru, que deu medo de comer na Benedito, deu até saudade do mês de setembro em Salvador.

A pimenta boa também. Não era aquele molho de pimenta na garrafinha. Era a pastinha que só não digo que era “tradicional” pq não era preta. Mas passa.
Apresentação “interna”:
Acarajé bom é acarajé crocante por fora e sequinho por dentro. Quando ele fica muito molhado internamente, atrapalha na integração dos acompanhamentos com o bolinho e o gosto não fica o mesmo. No caso do acarajé do Rota do Acarajé, os dois que eu comi não estavam tão sequinhos como deveriam ser.

Gosto:
Ótimo! Dava pra sentir que o azeite de dendê era de verdade. Apesar dos pontos negativos, chegou bem perto do acarajé de Salvador
Conclusão:
Concordo com o pessoal das comunidades que indicam o Rota. Eu também indico. Se é para matar a saudade ou para conhecer, pode ir e confiar. O preço é abusivo. Verdadeiramente abusivo. CPI do Dendê neles!!! A nota seria 8,0 ou 8,5…

OBS - Considero “nota 10″ o acarajé mais próximo do genuíno. Não fico comparando esses acarajés de fora de Salvador com os de Dinha, Cira ou Regina… pq é covardia. Ganha 10 quem conseguir servir um acarajé “como na Bahia” de verdade. Estamos conversados?
Quem estava lá:
Os acompanhantes são tão importantes quanto os acompanhamentos. Uma delicia passar esse tempinho com Lu e Vanessa. Além de uma aulinha basica sobre acarajé e comida baiana, falamos sobre a superexposição nas redes sociais e o uso do MSN como ferramenta de trabalho… dentre outros tópicos polêmicos. No final, sobrevivemos todos… eheheh…

Veja os outros reviews:
A Rota do Acarajé fica na rua Martim Fernandes, 529/533 - Santa Cecília - São Paulo -SP