Acarajé da Barraca da Mainha, Feira da Torre - Brasília-DF
Well… desde que cheguei à querida e estimada salve-salve Capital Federal, fui bombardeado de sugestões das mais diversas naturezas para provar “o melhor acarajé de Brasília”.
Fiquei reticente por um tempo, até pq essas experiências gastro-científicas não podem ser feitas sem uma pessoa ao lado para acodir, caso o pior aconteça.

Bandeira da Bahia é um bom sinal... olhando de longe, até me empolguei...
Foi então que, no domingo passado, acompanhado por Naty, me desbanquei da Asa Norte para a Feira da Torre, bem na meiuca de BSB, para provar o Barraca da Mainha, indicado por Newton, da Fundação Palmares.

A avaliação vc vê abaixo, como de costume.
Primeiro, o local: O local não é dos piores. Limpinho, arrumadinho, com lugar para sentar e comer o que quiser em paz. O atendimento também é bom, como sempre tem sido nessa minha busca pelo acarajé genuino. A “baiana” tinha cara de baiana mesmo.

Negra, gorda, vestida de branco e, de vez em quando sorridente, de vez em quando mal-encarada. Tudo como deve ser. A feirinha também é uma atração bacana que comento num outro post separado.
Apresentação: É na apresentação que o negócio começa a complicar. Quando eu vi o primeiro acarajé passar pela minha frente, pensei alto: “to com medo”. Mas fui corajoso e pedi o meu completo.

Só de lembrar me dá enjoo. O exagero de acompanhamentos com uma cara de nada apetitosos me virou o estômago. O guardanapo que se desfaz em poucos minutos. Será que ninguém entendeu como tem que ser o papel do acarajé?

Sabe aquela uniformidade da casca proveniente de uma massa bem feita, depoisitada com perfeição no tacho de azeite de dendê quente, que dá água na boca só de imaginar? Esqueça! Não é na Barraca da Mainha que você vai encontrar. O bolinho mais parece uma cadeia de montanhas. Algumas pontas mais queimadinhas do que outras. Dá um aspecto sujo ao negócio. Eca!
Acompanhamentos: Não precisa ser nenhum especialista em acarajé para saber que esse camarão é uma falta de educação. Não era seco e ainda era albino. Não tinha gosto de camarão. O vatapá numa consistência meio estranha e um gosto quase adocicado, onde já se viu? A salada e a pimenta, perto de tudo isso, até que passam. Mas o gosto de tudo junto era péssimo.

Apresentação interna: Lembram que eu já falei sobre a importância da parte de dentro do acarajé ser sequinha? Quanto mais molhada, pior o gosto. E do acarajé da Mainha parecia um charco de tão molhado. O acarajé fica esturricado e o azeite de dendê termina penetrando na massa, deixando o gosto enjoado.

Aproveito para dar uma lição: o azeite de dendê muito quente torra rapidamente a parte de fora, criando uma câmara que vai cozinhar a parte de dentro do acarajé perfeitamente, sacou?
Gosto: só pra resumir. ECA! Algumas vezes, uma imagem vale mais do que as palavras sim!

Preço: Eu já paguei mais caro por um acarajé, lógico. Mas 5 reais por um arremedo é um absurdo. Absurdo mesmo. Ainda mais se você pensar que eu não consegui comer o meu inteiro de tão ruim que era. A refeição com a tradicional e sempre deliciosa coca-cola saiu R$ 7,00

Conclusão: Me arrisco a dizer que é pior do que o acarajé da Liberdade, em São Paulo. Não houve nada que se salvasse na experiência. E foi tão ruim que eu não consegui comer inteiro, quanto mais comer o segundo, que, pra mim, é de lei. Quando eu comi o da Liberdade, ainda não fazia avaliações desse tipo, por isso não tenho a nota para comparar. Mas na média, esse ficaria com nota 3 fácil. E olha que eu tô sendo generoso.

OBS - Considero “nota 10″ o acarajé mais próximo do genuíno. Não fico comparando esses acarajés de fora de Salvador com os de Dinha, Cira ou Regina… pq é covardia. Ganha 10 quem conseguir servir um acarajé “como na Bahia” de verdade. Estamos conversados?
Quem estava lá: Fui com Naty, amigona. A parte divertida da história eram as risadas dela ao ver a minha cara comendo o acarajé. Uma boa companhia certamente faz a nota do acarajé subir um pouco. Beira do mar e pôr-do-sol também.

Veja os outros reviews:
Experimentando acarajés pelo Brasil
A Feira de Artesanato da Torre fica na Torre de TV, Eixo Monumental Oeste - Brasília - DF.
Horário de Funcionamento: Sábado, domingo e feriados das 08 às 18h

