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Introdução no fim do ano: o acarajé

Por Bito, o retirante, 20 de dezembro de 2009 22:47

Bem, a única coisa que faz com que as pessoas cheguem a esse blog é, sem dúvida, os meus reviews de acarajé. Tudo bem que eu não me esforço nem um pouco para que meu blog seja conhecido e tals, mas acho importante recompensar as pessoas que terminam caindo nesse cantinho da internet que é o Retirante.

Esse texto abaixo escrevi para estreia do Explosão de Sabores, uma lenda urbana que até hj não saiu do papel.

Acarajé de Cira, de Itapoã, comprado no Rio Vermelho. O melhor acarajé no melhor lugar para comê-lo

Acarajé de Cira, de Itapoã, comprado no Rio Vermelho. O melhor acarajé no melhor lugar para comê-lo

O acarajé é a comida mais gostosa do mundo. Sem dúvida. Além de ser um legítimo representante da Explosão de Sabores, tem seu papel socio-econômico-gastronômico-cultural como poucas iguarias possuem. Abaixo, coloco uma pequena introdução ao verdadeiro acarajé. Aproveitem nham-nham!

Feijão fradinho + cebola + sal + azeite-de-dendê = acarajé? Não!

A verdadeira experiência do acarajé deve reunir outros fatores, além desses, que  combinados, dão a Explosão de Sabores esperada.

Nos meus posts de degustação de acarajé pelo Brasil, vocês podem identificar todos esses fatores singulares e quase imperceptíveis para seres normais, mas que nós, baianos, vemos de longe.

Senta que lá vem história:

O bolinho de feijão mais famoso do universo é de origem africana e tem uma ligação intima com o candomblé. Acarajé siginifica “bola de fogo que se come”, do Iorubá, e, até onde eu saiba, é oferecido a Xangô, Iansã e Oxum. O primeiro acarajé fritado deve ser oferecido a Exu, e somente depois os outros podem ser servidos aos povos de bom gosto e boa vontade.

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Baiana. Fonte: O Rio antigo do fotógrafo MarcFerrez 3ª edição, 1989 Editora Ex Libris Ltda -> daqui, ó

Na Bahia, o acarajé é feito e servido por uma “baiana”, devidamente paramentada com roupa de santo. A profissão de baiana de acarajé é regulamentada e o bolinho é tombado como patrimônio cultural. No tabuleiro, o acarajé pode ser servido com vatapá, caruru, salada e pimenta.

O fenômeno do acarajé é antropologicamente curioso. O acarajé da Bahia está envolto a rituais, não apenas o religioso, mas sobretudo rituais sociais. Sair para comer acarajé não é coisa de turista, muito pelo contrário. A tradição e o costume de se comer um acarajé no fim-de-tarde, saindo do trabalho, da praia, ou no intervalo da faculdade são extremamaente difundidos.

Essa tradição popularizou algumas baianas, transformando seus tabuleiros em points pops. Cira, Dinha e Regina são as três mais famosas e dividem espaço no Rio Vermelho, o bairro boêmio e alternativo de Salvador. Escolher uma delas é como escolher time de futebol… e, mesmo sem ter torcida organizada, a fidelidade é semelhante, com direito a discussões acalouradas entre os adeptos de uma ou de outra.

A venda do acarajé garante o sustento de famílias de 20 a 30 pessoas e também do funcionamento de Terreiros. Uma profissão tipicamente feminina.

As baianas sofrem, cada vez mais, com a concorrência da venda do acarajé em bares, supermercados e restaurantes, que divulgam o bolinho como fast-food. Essa apropriação do acarajé contraria o seu universo cultural original e a sua venda como “bolinho de Jesus” pelos adeptos de religiões evangélicas – que postam Bíblias em seus tabuleiros – têm causado polêmica. -> daqui, ó

São mais de 5 mil mulheres trabalhando como baianas de acarajé em Salvador. E todas elas moram no meu coração!

Acarajé da Rosa: o mito

Por Bito, o retirante, 15 de dezembro de 2009 23:40

Bem, assim que cheguei a Brasília, o que mais ouvi foi: “você tem que ir ao Acarajé da Rosa, é o melhor da cidade”. Era como um martelinho batendo na minha cabeça, quase me obrigando a experimentar a iguaria afro-baiana sem pestanejar.

19092009502Pois eu, mesmo morando literalmente ao lado do restaurante, resisti bravamente até outro dia, quando fui com Vanessa ao tão famoso “oásis soteropolitano no quadradinho do Brasil”. E, lógico, experimentei o acarajé que avalio abaixo:

Primeiro, o local: Estava em reforma, mas era um meio termo entre um restaurante e um boteco.  Muito estranho era o lugar onde se fazia o acarajé. Na foto abaixo vocês podem ver… parecia sala de raio-x de hospital. Chato e sem vida.

19092009515O resto do lugar não é de todo ruim. Mas também não tem nada demais pra chamar a atenção. Ah! Se você for em dia de jogo, prepare-se. Estava passando um jogo do Vitória na TV, o que, para mim, conta negativamente. Desta vez resolvi relevar e a torcida é tão pequena que nem faz barulho. Mas em dia de jogo do Flamengo é simplesmente impossível conversar. A gritaria impera.

Ponto positivíssimo para a coca-cola em garrafa de vidro muuuuuito gelada! Perfeito! Apaixonante!

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Apresentação: Como eu não estava realmente empolgado com o acarajé que iam servir, ainda mais depois dessa percepção acerca do local, não fiquei surpreso ao ver um acarajé mal apresentado. Para segurar o bolinho, eles colocaram papel toalha. Já falei anteriormente da importância de um papel adequado para se comer acarajé. O dendê não permite falhas neste quesito. E também NENHUMA COMIDA deveria ser servida com papel toalha, peloamor!

19092009516Em outros quesitos da apresentação, nada mal. Aquele mesmo exagero, já característico das baianas, com o camarão e a salada caindo por todos os lados e uma quantidade sobrenatural de vatapá. Apesar de não ser muito pequeno, era magricela, o coitado. Mas nada absurdo também. Tudo normal na cor e textura da casquinha. nham nham!

19092009517Acompanhamentos: A salada estava no ponto certinho. Gostei. O vatapá não estava ruim, mas um tantinho sem sal que deixou um gostinho estranho no paladar. Não estava gostoso, mas também não posso dizer que estava ruim. Olhando bem, eu ainda tive dúvidas se não se tratava de um bobó de camarão.

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Já o camarão foi o melhor que comi em Brasília. Não que isso tenha algum valor por enquanto, mas já é um avanço. Podia ser mais sequinho e com menos tempero por cima. Foi outro acompanhamento que ficou na média.

19092009510Infelizmente eu não pedi pimenta. Não tive paciência nem coragem, pra falar a verdade. Então, não dá pra avaliar esse ponto.

19092009519Apresentação interna: É aí que o Acarajé da Rosa começa a se complicar de uma vez. O tal do melhor acarajé da capital do Brasil pecou no que muitos por aí pecam. Estava molhado por dentro. Cozido, é verdade, mas molhado.

19092009521Ai quando a gente olha para o tacho onde são fritos os acarajés a gente já começa a ter uma ideia dos motivos para ele não ser tão fofinho e sequinho por dentro. O azeite de dendê - que parecia ter mais de uma semana de uso, apesar deu não ter como comprovar esse fato - não parecia quente o suficiente. Ai quando a massa é colocada no azeite, ela não fica protegida direito pela casquinha e ai já era!

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Gosto: A vontade aqui é sempre dizer que foi bom. Mas, poxa, não foi! Mas também não foi ruim. Um meio termo já recorrente nas minhas andanças em busca do acarajé perfeito. No final, o azeite com jeitão de velho deixou um ranso na boca e a massa molhada atrapalha tudo. Mas os acompanhamentos estavam na média, aí as coisas vão se equilibrando.

Preço: Ah! Eu nem me espanto mais com esses absurdos. Pagar R$ 6,00 por um acarajé meia boca é o fim da picada. E mais uma vez eu não consegui comer o segundo. Não foi pelo gosto dessa vez, mas pelo preço. Nem se fosse gostoso eu repetiria.

19092009505Conclusão: Acho que o que mais atrapalhou foi a propaganda. Se esse é o melhor acarajé de Brasília, meu Deus, estamos com problemas sérios. Mas não posso deixar isso atrapalhar minha avaliação. Algumas coisas boas, outras coisas ruins, e quase todo acarajé fora de Salvador vai se tornando mediano, mediocre mesmo. A dúvida que tenho é se dou 5,5 ou 6,0 para o quitute.

OBS - Considero “nota 10″ o acarajé mais próximo do genuíno. Não fico comparando esses acarajés de fora de Salvador com os de Dinha, Cira ou Regina… pq é covardia. Ganha 10 quem conseguir servir um acarajé “como na Bahia” de verdade. Estamos conversados?

Quem estava lá: Fui com Vanessa. Que tem que ter muuuuuita paciência para me aturar comendo, fotografando, comentando, fotografando mais um pouco e reclamando. Mas quem mandou casar? Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, no acarajé de Cira ou no acarajé da Rosa.

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Veja os outros reviews:

Experimentando acarajés pelo Brasil

O acarajé da Rosa fica na SQCN 210, bem na esquina da quadra, em frente ao Mont Sion. Não tem muito lugar para estacionar (como quase todas as comerciais de Brasília), mas como eu moro do lado, fui andando mesmo :P

Acarajé da Barraca da Mainha, Feira da Torre - Brasília-DF

Por Bito, o retirante, 25 de agosto de 2009 13:57

Well… desde que cheguei à querida e estimada salve-salve Capital Federal, fui bombardeado de sugestões das mais diversas naturezas para provar “o melhor acarajé de Brasília”.

Fiquei reticente por um tempo, até pq essas experiências gastro-científicas não podem ser feitas sem uma pessoa ao lado para acodir, caso o pior aconteça.

Bandeira da Bahia é um bom sinal... olhando de longe, até me empolguei...

Bandeira da Bahia é um bom sinal... olhando de longe, até me empolguei...

Foi então que, no domingo passado, acompanhado por Naty, me desbanquei da Asa Norte para a Feira da Torre, bem na meiuca de BSB, para provar o Barraca da Mainha, indicado por Newton, da Fundação Palmares.

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A avaliação vc vê abaixo, como de costume.

Primeiro, o local: O local não é dos piores. Limpinho, arrumadinho, com lugar para sentar e comer o que quiser em paz. O atendimento também é bom, como sempre tem sido nessa minha busca pelo acarajé genuino. A “baiana” tinha cara de baiana mesmo.

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Negra, gorda, vestida de branco e, de vez em quando sorridente, de vez em quando mal-encarada. Tudo como deve ser.  A feirinha também é uma atração bacana que comento num outro post separado.

Apresentação: É na apresentação que o negócio começa a complicar. Quando eu vi o primeiro acarajé passar pela minha frente, pensei alto: “to com medo”. Mas fui corajoso e pedi o meu completo.

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Só de lembrar me dá enjoo. O exagero de acompanhamentos com uma cara de nada apetitosos me virou o estômago. O guardanapo que se desfaz em poucos minutos. Será que ninguém entendeu como tem que ser o papel do acarajé?

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Sabe aquela uniformidade da casca proveniente de uma massa bem feita, depoisitada com perfeição no tacho de azeite de dendê quente, que dá água na boca só de imaginar? Esqueça! Não é na Barraca da Mainha que você vai encontrar. O bolinho mais parece uma cadeia de montanhas. Algumas pontas mais queimadinhas do que outras. Dá um aspecto sujo ao negócio. Eca!

Acompanhamentos: Não precisa ser nenhum especialista em acarajé para saber que esse camarão é uma falta de educação. Não era seco e ainda era albino. Não tinha gosto de camarão. O vatapá numa consistência meio estranha e um gosto quase adocicado, onde já se viu? A salada e a pimenta, perto de tudo isso, até que passam. Mas o gosto de tudo junto era péssimo.

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Apresentação interna: Lembram que eu já falei sobre a importância da parte de dentro do acarajé ser sequinha? Quanto mais molhada, pior o gosto. E do acarajé da Mainha parecia um charco de tão molhado. O acarajé fica esturricado e o azeite de dendê termina penetrando na massa, deixando o gosto enjoado.

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Aproveito para dar uma lição: o azeite de dendê muito quente torra rapidamente a parte de fora, criando uma câmara que vai cozinhar a parte de dentro do acarajé perfeitamente, sacou?

Gosto: só pra resumir. ECA! Algumas vezes, uma imagem vale mais do que as palavras sim!

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Preço: Eu já paguei mais caro por um acarajé, lógico. Mas 5 reais por um arremedo é um absurdo. Absurdo mesmo. Ainda mais se você pensar que eu não consegui comer o meu inteiro de tão ruim que era. A refeição com a tradicional e sempre deliciosa coca-cola saiu R$ 7,00

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Conclusão: Me arrisco a dizer que é pior do que o acarajé da Liberdade, em São Paulo. Não houve nada que se salvasse na experiência. E foi tão ruim que eu não consegui comer inteiro, quanto mais comer o segundo, que, pra mim, é de lei. Quando eu comi o da Liberdade, ainda não fazia avaliações desse tipo, por isso não tenho a nota para comparar. Mas na média, esse ficaria com nota 3 fácil. E olha que eu tô sendo generoso.

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OBS - Considero “nota 10″ o acarajé mais próximo do genuíno. Não fico comparando esses acarajés de fora de Salvador com os de Dinha, Cira ou Regina… pq é covardia. Ganha 10 quem conseguir servir um acarajé “como na Bahia” de verdade. Estamos conversados?

Quem estava lá: Fui com Naty, amigona. A parte divertida da história eram as risadas dela ao ver a minha cara comendo o acarajé. Uma boa companhia certamente faz a nota do acarajé subir um pouco. Beira do mar e pôr-do-sol também.

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Veja os outros reviews:

Experimentando acarajés pelo Brasil

A Feira de Artesanato da Torre fica na Torre de TV, Eixo Monumental Oeste - Brasília - DF.
Horário de Funcionamento: Sábado, domingo e feriados das 08 às 18h

Explosão de Sabores: Pizzaria Dom Bosco

Por Bito, o retirante, 12 de agosto de 2009 12:41

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Já estava na hora de fazer um programa tipicamente candango. Algo, como se diz por aí, roots mesmo.

E foi a amiga Ana Clara que me levou para descobrir as belezas e delícias da Pizzaria Dom Bosco. Uma abençoada essa minha amiga.

Tudo bem. A propaganda é a alma do negócio. Mas quando o corpo não condiz exatamente com a alma, a gente desconfia, né?

Pois foi exatamente isso que pensei quando cheguei à quadra 107 Sul, ali no cantinho, e vi uma biboquinha socada de gente na porta, com cara de mercearia do interior.

11082009418Opções de sabores? Bem… tem pizza, e isso já basta. E não é uma pizza qualquer. É uma massa grossinha, mas nem muito, macia. O molho de tomate (delicioso) sobrando por todos os lados. Esse é o sabor.

Mas, calma amigo. Você ainda tem o que escolher. Simples ou Dupla? Simples é um pedaço de pizza enrolado em muito guardanapo. Dupla são dois pedaços de pizza casadinhos, tipo biscoito de recheio, sabe? Ah! E tudo enrolado em muito guardanapo.

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Gostei muito. Uma explosão de sabores, como já ouvi tanto dizer por aqui. Tanto que voltei no dia seguinte com Urgel e Cris. E com Elisio e Naty pedimos para entregar em casa :P

Pesquisando por aí vc descobre que tem Pizzaria Dom Bosco por tooooda a cidade. E pelo telefone ;-)

Mas atenção! Já fui informado que a melhor mesmo é da Asa Sul.

Fica a dica ;-)

Acarajé: Feirinha de Ipanema

Por Bito, o retirante, 24 de julho de 2009 15:17

Ainda sobre os tardios relatos da passagem dos retirantes pelo Rio de Janeiro, no domingo pela manhã caminhamos do Leblon até a Feira Hippie de Ipanema, na Praça General Osório, onde compramos bugingangas mil e tive a chance de experimentar “o melhor acarajé da Feira”, como disseram.

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Identifiquei três lugares que vendiam acarajé por lá e esse que mostro pra vcs é o da esquina da Jangadeiros com Visconde de Pirajá.

Primeiro, o local: Numa esquininha, eu até já me acostumei a não procurar por um tabuleiro de verdade. Fora da Bahia acarajé é vendido em barraquinha. Nesse caso, no canto da Feira de Ipanema, com umas mesinhas de metal ao lado bem concorridas. Tinha tudo pra ser bom, mas o lugar vende de tudo… doces, bolos, croquetes e também acarajé. Essa variedade toda assusta e também atrapalha no cuidado que se deve ter com o bolinho baiano.


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O preço: Ah! Essa foi a piada das piadas. Talvez pq eu tava com uma camisa do Brasil (que comprei na própria feira), talvez pq eu seja branco-quase-transparente, ou talvez pq eles não tenham vergonha mesmo, mas cobrar SETE REAIS por um acarajé beira o roubo. Com mais R$ 3 da coca-cola o dinheiro acabou logo e só pude comer um. Nem em São Paulo eu paguei tão caro por um acarajé.

Apresentação:
Cada vez mais me espanto com a criatividade das pseudo-baianas ao tentarem servir o acarajé. Até em Salvador tem umas modas estranhas. Nesse caso, o acarajé é servido num pratinho de plástico, tipo de sorvete, sabe? Menos prático impossível. E ainda vem um garfo e uma faca (também de plástico).
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Outro grave problema é o exagero nas quantidades e a desconfiguração do acarajé. É tanto vatapá e caruru que o bolinho fica todo arreganhado, coitado. E quando ele é pequeno, como é o da Feirinha, fica pior ainda. Para um doido como eu, que quis comer com a mão, do jeito que tem que ser, foi uma tortura. E pra piorar, estava frio!!!

Para não falar que foi tudo um fiasco, a cor da casquinha tava perfeita.

Acompanhamentos: Ah! Tinha de tudo. Pimenta, vatapá, caruru, salada e camarão. Nada de extraordinário, mas nada ruim também. O camarão não tava sequinho e tinha muito fiapo. O vatapá tava com o gosto muito bom, mas a conscistência não estava tão firme como deveria, muito melequento, com o perdão da palavra.

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O caruru com umas rodelas de quiabo estranhas e com mais gosto de quiabada do que de caruru, achei. A salada tinha uns cubinhos de cebola muito estranhos, mas o tomate estava ótimo, vermelhinho que só! Por fim, a pimenta era fraca, parecia daquelas de frasquinho de super-mercado.

Apresentação “interna”: Por dentro, nem deu pra ver direito, é verdade, mas segue o mesmo estilo “quase lá” dos outros acarajés que comi fora de Salvador. Se fosse um pouquinho mais seco, passaria no teste. Não passou.

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Gosto: Era quase meio dia quando chegamos. A fome estava apertando e, como disse no início, comi um só. Aí a avaliação do gosto fica comprometida. Mas achei tudo muito molhado e sem sabores definidos. Aí complica. Posso dizer que não é ruim, mas se o gosto não foi marcante, então é pq há algo de estranho no reino da Dinamarca.

Conclusão: É… difícil chegar a uma conclusão nesse caso. Mas são muitos pontos negativos e poucos pontos positivos. Classifico, com alguma dúvida, como nota 5. Mas acho que pode melhorar. Outra coisa importante para se dizer aqui - e que pesou na nota final - é que foi a primeira vez que quem servia/fazia o acarajé não era baiano. No caso, eram cariocas, com aquele sotaque e tudo. Deu até desanimo.

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OBS - Considero “nota 10″ o acarajé mais próximo do genuíno. Não fico comparando esses acarajés de fora de Salvador com os de Dinha, Cira ou Regina… pq é covardia. Ganha 10 quem conseguir servir um acarajé “como na Bahia” de verdade. Estamos conversados?

Quem estava lá: Na hora, estavam Vanessa e minha mãe, que fez uma foto nossa mas ainda não mandou. Quando mandar, publico aqui. Só que durante o dia estava a galera toda…

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